11 de novembro de 2014

JUNG E OS SÍMBOLOS

Caderno de artes da UNISANTA tema: simbolismo

Quando perguntavam a Michelangelo como ele conseguiu imprimir tanta beleza em sua escultura, ele respondia que não havia feito nada além de apenas retirar o excesso, pois a beleza estava no interior do mármore.

Carl Gustav Jung, afirmava que a beleza do ser humano se encontra em sua essência, em sua totalidade, que consiste em uma bem sucedida união do ego, ligado a nossa mente consciente e do self que é a pedra filosofal, o centro que compreende a expressão mais completa do ser humano, os dois se completam, mas ambos devem preservar suas qualidades intrínsecas, pois ao ser subjugado pelo self, o ego permanece rígido em um nível primitivo exprimindo-se somente por meio de símbolos arcaicos.

A persona é o sistema de adaptação ou a maneira que se dá a comunicação com mundo, é a atitude consciente do indivíduo, a máscara que usa perante os outros. Conceito definido para descrever uma falsa imagem global e esquemática que a pessoa utiliza em seu meio e do efeito que este exerceu sobre ela; cabe ressaltar, porém que os conteúdos desta imagem pertencem ao ser humano. É como nos comunicamos no social.
A tarefa da individuação é obter o todo, uma unidade indivisível através da união entre o consciente e inconsciente utilizando como ponte os símbolos e a fantasia ativa.

......”A vida sempre me pareceu uma planta, que vive de sua raiz. Sua verdadeira vida é invisível, escondida na raiz. A parte que desponta acima do solo dura somente um único verão. Depois fenece .... uma efêmera aparição.....”Carl Gustav Jung

Para Jung plasticidade e versatilidade estavam ligadas a vida. As metamorfoses que ocorrem em sua essência é que fazem o ser humano imortal. Assim como sinto a presença dele (Jung) ainda viva em nossos tempos.

Conhecer-se significa familiarizar-se com um vasto número de representações psíquicas de contextos geográficos, históricos e culturais, ou seja, o indivíduo constitui-se psicologicamente uma unidade separada e ao mesmo tempo unida à humanidade toda.

A consciência conta com vários focos possíveis de subjetivação, do ponto de vista da energia diferentes funções traduzem o movimento predominante da libido; baseado no esquema da “bússola” da psique, ele divide o indivíduo em pólos. Para orientar-nos necessitamos de uma função que constate “QUE ALGO É “ - Sensação, uma Segunda função que estabeleça “O QUE É“ – Pensamento, uma terceira “QUE DECIDA” se isso nos convém ou não, e se desejamos aceitá-lo ou não - Sentimento e uma Quarta função que indique de “ONDE PROVÉM E PARA ONDE VAI” – Intuição.

Fantasia ativa que representa a unidade de vários pares de opostos: Introversão/extroversão, o sentimento/pensamento e a intuição/sensação.

A princípio Jung relacionou introversão com o ser pensante e extroversão com o ser sentimental, modificando esta posição ao perceber que as civilizações ocidentais favoreciam o extrovertido em detrimento do introvertido. Em sua conclusão estas tipologias ganharam um novo enfoque: Extrovertidos - possuem fascinação pelo mundo exterior, interesse por pessoas, preocupação com o presente, suas decisões são comandadas pelos fatos e não por valores subjetivos enquanto os Introvertidos - possuem preocupação com o mundo interior, em planejar o futuro, e interesse nas leis que regem o mundo; natureza refletida que o impele a hesitar excessivamente antes de agir , dificultando sua adaptação ao mundo exterior. Na verdade a busca é sempre da união dos pólos e ao mesmo tempo sua conservação, interligando os tempos: Passado, Presente e Futuro, pois um não existe sem o outro; fica sem consistência.

Ciência é uma função do intelecto e todas as demais funções psicológicas estão a ele subordinadas como objetos. O intelecto é soberano do reino científico, mas ficar preso ao conhecimento científico significa reduzir pouco a pouco a qualidade à quantidade o concreto ao abstrato e esvaziar a realidade de todo conteúdo, de toda espontaneidade. A “ciência intelecto” é uma ferramenta essencial para o objetivo da psicologia analítica, porém só pode ser útil com ética.

A verdadeira educação está vinculada a ativação da alma, a viver com arte, que exige o ser completo, inteiro, toda sua qualidade humana. O pensamento, a mania de saber, tão característica da nossa cultura, já está inscrita na figura mitológica de Édipo, pois para decifrar o enigma da esfinge é necessário ultrapassar a razão e seguir a força do inconsciente e enfrentar os nossos temores à eles, sair do pensamento lógico e partir para as metáforas, símbolos, imagens; como fazem as crianças, livres conseguem muitas vezes surpreender os adultos com suas soluções até lógicas mediante suas brincadeiras e descontração. Para Jung a sabedoria só tem validade a medida em que conseguimos aplicá-la em toda sua plenitude.

Convivemos com enigmas da Esfinge a todo o momento, mas por alguma razão nos recusamos a ir de encontro com o desconhecido, nos prendemos aos padrões, esquecendo-nos de que somos nós os produtores do que nos rodeia, ou seja, seres questionadores e interpretadores de símbolos
A criação de algo novo não é realizada pelo intelecto, mas pelo instinto lúdico, agindo por necessidade intrínseca. A mente criativa joga com o objeto que ama.

...”Mas o que pode o homem criar se por acaso não for poeta? Se você não tiver absolutamente nada para criar, então talvez crie a si próprio”. Carl Gustav Jung

Jung valorizava a arte, o criativo, o lúdico, as imagens, observava as fantasias como partes integrante de suas influência no presente. A fantasia é a grande chave mestra de nossa psique, que representa a força vital de nosso organismo. É por meio da fantasia que o ser consegue ampliar os horizontes e se comunicar com o mundo de forma irrestrita, pois os símbolos dão vida as imagens, fazendo uma união entre as realidades psíquica e consciente.

No período que estava com Freud, Jung começou a desenvolver um estudo sobre grupos de conteúdos psíquicos, que desvinculados da consciência passavam para o inconsciente onde continuavam, em uma existência relativamente autônoma tendo influência sobre a conduta. Observando a similaridade entre os sonhos dos indivíduos Jung descobriu que existia uma área em nossa psique onde estariam estes elementos como: figuras, símbolos e conteúdos de caráter universal que denominou arquétipos.

Os arquétipos derivam também da observação reiterada de que os mitos e os contos da literatura universal encerram temas bem definidos que reaparecem sempre e por toda a parte. São formas sem conteúdo próprio que servem para canalizar o material psicológico, formas universais de pensar carregada de tons afetivos; apreensão intuitiva, à imagem do instinto, o que permite a ação e possibilita a vivência de novas situações, centros de energias psíquica, encontrado, com muitas variantes no campo da mitologia e da religião comparada, e forma a base de numerosas representações coletivas. Podem estar ligados a nascimento, morte, poder e submissão.

Inconsciente Coletivo é a matriz de todas as produções culturais, depósito de experiências ancestrais acumuladas por milhões de anos, ecos de acontecimento desde os primórdios dos tempos enriquecido a cada século. É como ar, que é o mesmo em todo lugar, é respirado por todos e não pertence a ninguém. Na medida que é atemporal nos faz renascer e o renascimento trás um sentimento de eternidade e imortalidade.

Os arquétipos e os instintos constituem o inconsciente coletivo que ao contrário do inconsciente pessoal não é constituído de conteúdos individuais, que não se repetem, mas de conteúdos que são universais e aparecem regularmente; constituem como que uma condição ou base da psique em si mesma, condição onipresente, idêntica a si própria em toda parte.

Sincronicidade é um termo criado por Jung, que exprime uma coincidência significativa ou uma correspondência; quando um acontecimento psíquico e um acontecimento físico não ligados por uma relação causal. Tais fenômenos de sincronicidade aparecem quando fenômenos interiores (sonhos, visões, premonições) parecem ter uma correspondência na realidade exterior. A imagem interior ou a premonição mostrou-se verdadeira, porém existem também idéias análogas ou idênticas que ocorrem em lugares diferentes, sem a causalidade que possa explicar e outras manifestações. Ambas parecem ter relações com processos arquetípicos do inconsciente coletivo.

...” O sonho é uma porta estreita, dissimulada naquilo que alma tem de mais obscuro e íntimo; essa porta se abre para a noite cósmica original, que continha a alma muito antes da consciência do Eu e que a perpetuará muito além daquilo que a consciência individual poderá atingir. ...” Jung

Através do sonho pode-se penetrar na parte mais profunda, mais verdadeira, onde o universo está unificado . É a expressão mais espontânea da existência do ser humano.

Sombra personifica o que o indivíduo recusa a conhecer ou a admitir, e que, no entanto sempre se impõe a ele, direta ou indiretamente. É a soma de todos os elementos psíquicos pessoais e coletivos que, incompatíveis com a forma de vida conscientemente escolhida, não foram vividas formando uma personalidade autônoma, com tendência opostas às do consciente.

Jung fortaleceu nossa ambivalência com o conceito - Anima/Animus – Personificação da natureza feminina do inconsciente do homem (anima) e da natureza masculina do inconsciente da mulher ( animus), é o amor em relação ao sexo oposto para integrar os conteúdos da figura. Também possuem um aspecto positivo e negativo. O anima do homem procura unir e juntar, engendra sentimentos espontâneos o animus na mulher procura diferenciar e reconhecer.

Não poderia deixar de falar na Mandala – círculo mágico, na obra de Jung, símbolo do centro e do si-mesmo, enquanto totalidade psíquica; auto-representação de um processo psíquico de centralização da personalidade, produção de um centro novo desta última. A mandala exprime-se, simbolicamente, por um círculo, um quadrado ou um quatérnico, num dispositivo simétrico do número quatro e de seus múltiplos.

Na ioga tântrica, a mandala é um instrumento de contemplação (iantra), lugar de nascimento dos deuses. O arquétipo em situação de perturbação constela como compensação, representa um esquema ordenador que vem, de algum modo colocar-se acima do caos psíquico, como um círculo dividido em quatro partes iguais, ajudando cada conteúdo a encontrar seu lugar e contribuindo para manter a coesão. Existem inclusive danças folclóricas, em que há uma representação da mandala: em que há uma roda que se movimenta em torno de um ponto central, um afastamento em direção a quatro pontos, e um retorno ao centro, utilizadas também para harmonização, e equilíbrio.

Jung desvendou o ser humano, ou melhor abordou de forma fascinante o ser humano em sua completa totalidade. Somos a busca do inconsciente e da realidade objetiva, do radical ao flexível, do poder à submissão, da dureza a fragilidade. Enfim o ser humano inteiro em constante metamorfose de sua essência.

O criador ativo participante do movimento cósmico do universo, compartilhando desejos coletivos compatibilizados com seus desejos reais e concretos. O ser atuante que movimenta e é lançado ao mundo, condutor de sua estrada em direção ao encontro de sua existência e do significado.

*Oleni de Oliveira Lobo é psicóloga com especialização em Psicodrama Terapêutico, pós-graduada em Gestão da Qualidade, consultora em recursos Humanos e professora da Faculdade de Comunicação da Universidade Santa Cecília (UNISANTA). Realiza implantação dos Recursos humanos nas organizações, ministra treinamentos de qualificação atendimento, criatividade, desenvolvimento liderança , 5 ´s um passo a qualidade total e outros.

Referência
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Fordham, Frieda – Introdução à Psicologia de Jung – Editora Edusp - 1961

Jung, C.G. – Aion –Estudos sobre o Simbolismo do Si-Mesmo - Editora Vozes – 1982

Jung, C.G. – Psicologia do Inconsciente – o Eu e o Inconsciente – Editora Vozes - 1978

Jung, C.G. – Psicologia e Religão – Editora Vozes - 1978

Maroni, Amnéris – Jung : O poeta da Alma –Editora summus – SP , 1998

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MEDITAÇÃO DA LUZ DOURADA

MEDITAÇÃO DA LUZ DOURADA
Deve-se estar sentado confortável com a coluna vertebral bem direita. Começamos por inspirar profundamente pelo nariz e expiramos pela boca. Visualizamos a inspiração em energia branca e pura e a expiração levando todas as toxinas e energias negativas em névoas negras. Seguidamente concentramo-nos na energia do universo, das estrelas, dos planetas e focalizamo-nos em inspirar essa energia, preenchendo-nos completamente com ela. Sentimos o nosso corpo envolvido e preenchido com essa energia de paz e amor universal. Mantemos esta sensação durante cerca de dois minutos e depois, lentamente, pensamos somente em inspirar paz. Pensamos na paz e concentramo-nos na respiração desse sentimento, um sentimento de paz. Quando expiramos, enviamos paz também para o universo, preenchendo-o. Fazer esta respiração durante cerca de dois minutos e está-se pronto para a Meditação da Luz Dourada. Visualizamos de seguida, que inspiramos uma luz dourada. Sentimo-la a entrar para os nossos pulmões e a espalhar-se por todo o nosso corpo. Fazêmo-lo nove vezes. Passamos a respirar regularmente pelo nariz. Depois, começamos a visualizar uma linha dourada desde a base da espinha até ao topo da cabeça. Visualizamos essa linha dourada da grossura de um fio de electricidade. Fazêmo-lo nove vezes. Visualizamos então a grossura do fio dourado a aumentar lentamente até atingir a grossura de um lápis. Sentimos a luz dourada desde a ponta da espinha até ao topo da cabeça. Novamente sentimos a expansão da grossura da luz dourada até atingir a grossura de um dedo a fluir desde o topo da cabeça até à base da espinha. Agora, sentimos a luz a expandir-se para uma coluna de luz dourada que flui desde a base da espinha até o topo da cabeça. Visualizamos esta bela coluna de luz dourada a expandir-se lentamente até nos envolver completamente todo o corpo. Ficamos a sentir, pacificamente, essa luz dourada a envolver-nos. Agora, lentamente visualizamos a coluna de luz que nos envolve, a transformar-se num grande ovo de luz dourada que nos envolve completamente. Sentimos a sua paz e também a sua protecção. Tudo o que está dentro desse ovo cintila de energia, alimenta a nossa aura de energia e fortalece-a. Ficamos durante cerca de dois minutos sentindo-nos envolvidos por esse ovo de luz dourada. Depois, começamos a visualizar o encolhimento do ovo dourado. Primeiro sentindo-o voltar à forma de coluna, e depois lentamente sentimo-la encolher até à base da espinha e ao topo da cabeça. Depois sentimo-la a encolher lentamente até ficar do tamanho de um dedo, depois de um lápis, e finalmente, da grossura dum único fio dourado. Agora, sentimos a energia desse fio dourado a fluir desde a base da espinha até ao topo da cabeça e focalizamo-nos no ponto de intersecção das linhas do terceiro olho e do topo da cabeça. Respiramos por nove vezes, sentindo a energia da luz dourada nesse local da cabeça e depois, deixamos a energia fluir de novo para a boca, estômago, baixo abdómen, deixando-a dissolver-se aí lentamente. Respiramos fundo mais umas quantas vezes e sentimos toda a paz e protecção que essa luz dourada nos proporcionou. Sentimos que podemos fazer esse exercício sempre que quisermos, envolver-nos nessa luz dourada e fortalecer a nossa aura com a sua protecção e energia.

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